Um dos lugares mais legais que fui na Coréia do Sul foi um bar com vários aparelhos e discos de vinil, uma biblioteca imensa, que a proposta era pegar os vinis, sentar pra tomar algo — fomos de chopp, mas tinha uma galera no chá e no café — e ficar ouvindo o final.
Duas poltronas confortáveis.
Uma mesa baixa, com um aparelho de vinil no centro e dois fones absurdos.
Paredes lotadas de discos de vinil. Separados por estilos e uma parede inteira para você descobrir coisas novas.
Um cardápio só de bebidas e petiscos tipo amendoim e biscoitos.
O objetivo é sentar, escolher uns vinis, tomar sua cerveja e ficar ouvindo disco.
Como estava com minha noiva, a experiência foi ficar ouvindo a música, tomando chopp e só.
Nesse tipo de ambiente você até fica desencorajado de pegar o celular. A única vez que peguei foi pra anotar algumas ideias que passaram pela cabeça.
Passar por esse lugar me trouxe algumas reflexões…
- Como faz falta um lugar assim no Brasil. Eu tenho um cantinho de leitura aqui em casa, mas é diferente. É um terceiro lugar, o que te faz ficar muito menos propenso a se perder em outras coisas.
- Como a gente passou a consumir música (e outros conteúdos) de forma tão fragmentada que é até estranho perceber o quanto existia de qualidade e criatividade em montar um álbum! Antigamente se montava um produto coeso. Agora virou lógica de lançamento a todo instante, sem construir uma obra de fato, mas sim pedaços.
- Como a atenção constante em algo nos conecta com algo dentro de nós e como a gente tem perdido essa capacidade de se conectar. No primeiro disco (foi do Queen), foi difícil prestar atenção sem ficar pegando no celular pra ver a hora. Com o tempo fomos nos acostumando. Estamos tão focados em consumir pequenas pílulas, que quando nossa atenção é necessária, a gente perde o costume.
Atenção constante e foco no consumo, foram os melhores aprendizados. Foi uma experiência tão boa que é até difícil não mudar a cabeça de como consumimos as coisas.