• Miopia

    Nossa visão de produto está tão limitada que perdemos a capacidade de executar coisas diferentes por limitação dessa visão.

    Todo mundo gritando que o SaaS morreu, mas existem outras maneiras de criar software. Outras maneiras das pessoas utilizarem software e tecnologia nos seus dias.

    O que está morrendo, talvez, sejam os modelos de negócio. A era das assinaturas e da recorrência talvez encontre dificuldades.

    Mas existem outras formas de receita, de ganhar dinheiro, de diversificar produto.

    Chegamos até onde chegamos como humanidade sem ter essa dependência do estilo de negócios que foi principalmente imposto pela galera tech de São Francisco e do Vale do Silício.

    Precisamos nos livrar um pouco disso.

    Precisamos entender que criar produtos também envolve outras meios de troca de valor, de uso.

    E existe uma pluralidade de usos de Software que os fazem não ter morrido ainda, nessa lógica do mundo novo.

  • Intencionalidade

    Fazer as coisas com intenção, entendendo o que se está fazendo, realizando e indo em frente, realizando e querendo realizar.

    Fazendo com cada pedaço do ser, cada pedaço do seu foco, seus pensamentos todos voltados a um único objetivo.

    Claro que o pensamento se esvai. Claro que a mente divaga. Mas é voltar ao começo, focar a intenção do ato primeiro.

    Voltar e realizar.

    Igual meditar. Inclusive, tenho percebido isso ao meditar: botar os 5 minutos para isso, só focar na respiração. O pensamento se esvai, mas você retorna ao ritmo da respiração.
    O corpo é o menor dos problemas. O maior é a mente, que grita, vai pras ansiedades e preocupações. E você no começo grita de volta e foca na respiração.
    Até que sua mente acalma. E qualquer ruído, qualquer lugar que seus pensamentos vão, gentilmente você consegue trazer de volta.

    Quem diria que meditar ia me influenciar.

  • Craft, Taste e Expression

    Ninguém começa nada sabendo tudo. Primeiro você adquire o conhecimento.

    Você começa pelo craftmanship, como qualquer outra pessoa. Pequenos projetos. Pequenas coisas. Copia e adapta. Faz e pronto.

    Depois você adquire taste. Você começa a entender como funcionam as coisas, você começa a estruturar melhor as coisas, descobrir os métodos escondidos, começa a aplicar o seu gosto nas coisas.

    Por último, você chega no modelo de expressão. Você chega no modelo em que começa a realmente quebrar os buracos, furar as fendas.

    Nada disso faz sentido, sem passar pelas etapas anteriores. Você começa a fazer do seu jeito, criando o seu método. Você não chega na sua expressão, sem passar pelas etapas anteriores. Sem melhorar seu craft, sem melhorar e experimentar seu taste. Faça as etapas, mesmo que com velocidade, mas faça.

    Não pule etapas, e descubra um novo mundo de expressão pessoal.

  • Caos e Sistema

    Eu não consigo entender os criadores que vivem no caos da criação.

    Sem ordem, sem organização, sem um propósito para seguir.

    Uma das coisas que sempre me incomodou era o quanto os conselhos de criação eram todos relacionados a capacidade de pensar em ideias diferentes, consumir e deixar os pensamentos fluírem.

    Todos estão errados.

    Criar algo é, essencialmente, executá-lo todos os dias. Meter a mão na massa. É por isso que existem frameworks e estruturas, sistemas e processos, para garantir que a gente não saia do eixo.

    O maior ensinamento que aprendi no mundo da gestão é esse: de que ter organização e gestão das coisas é importante para realizar a tarefa em si.

    Um time de vendas que não tem processos, não vende.
    Uma fábrica sem uma sequência lógica de automação e processos, não produz.
    Qualquer esporte sem estrutura, não gera vencedores.

    Por que com a criação seria diferente?
    Criatividade também é método. Também é processos, rotinas, sistema.

    Também é seguir propostas de tempo, rotinas e buscar segurança.

    Se você quer escrever um livro, uma newsletter, uma matéria, tudo isso parte do mesmo pressuposto: Você precisa ter um sistema organizado para produzir.

    e você não tem método ou não sabe qual o melhor método para você, reflita sobre isso agora.

    Busque frameworks, maneiras seguras de fazer dar certo.

    Só assim você vai ter sucesso.

  • Propósito, Sentimento, Execução e Disciplina

    Tem dias que a gente acorda pronto para tudo. Não existe tarefa pequena, tudo será feito, tudo será conquistado.

    Tem dias que a gente acorda pronto para nada. Procrastinação vem, desânimo, vontade de chegar em lugar algum.

    O propósito é parte inerente de, nesses dias ruins, conseguirmos executar algo. É o propósito que arrasta a disciplina para que você conquiste algo. Sem propósito, por menor que ele seja, nada é conquistado.

    O sentimento é parte importante da sua produção, do seu fazer. É ele que, num momento bom, faz a produção aumentar e, num momento ruim, faz a produção ser minimamente alcançada.

    O propósito é o combustível para o sentimento quando falta vontade. O propósito é o que traz a disciplina justamente por esse fator, de conseguir dar energia para o ser mesmo nos momentos em que falta energia. Esse mesmo propósito é inerente ao ser humano. O problema é que deixamos ele de lado, na correria do dia a dia. Aí falta combustível e falta disciplina. Como consequência final, não executamos nada.

    Não é um framework definido ainda, mas no geral:

    1. Defina o propósito
    2. Quando faltar sentimento, busque no propósito
    3. Execute mesmo sem vontade no início, deixe a disciplina agir e depois deixe o propósito com sentimento fazer a combustão
    4. Execute

    Criatividade exige propósito.

  • O que é que Menocchio leu?

    Essa frase me bateu.

    Primeiro porque eu buscava inspirações sobre o que dizer e o que escrever. Voltar a ter ritmo de escrita constante, pensamento criativo.

    Segundo porque ela me pegou de arrasto, no susto, para um pensamento maior: o quanto o que lemos (e até consumimos no geral) nos constrói.

    Menocchio é o fio condutor do livro “O queijo e os vermes”de Carlo Ginzbur, personagem esse que é moleiro e foi preso pela Inquisição por heresia.

    Carlo tenta quebrar de onde Menocchio, um camponês, teve essas ideias. E se volta, em parte do livro, ao seu círculo de influências e as suas leituras.

    E a frase bate forte justamente porque ela é uma verdade absoluta: para conhecer as ideias de uma pessoa, você precisa ir nas suas leituras. Nas suas influências. O que consumimos, o que nos faz pensar, o que nos entra pela cabeça e gera pensamentos, é daí que nos vem a influência do nosso querer.

    De vez em quando somos tomados por pessoas diferentes, com ideias diferentes das nossas, que só na trocação de ideia nos impactam. E daí vamos consumindo indicações daquela pessoa, vamos adicionando novos blocos as nossas histórias. Novas ideias e novos pensamentos.

    Claro que existe um perigo nesse processo, mas correr esse perigo faz parte do jogo. E errar ajuda no aprendizado.

    Ainda preciso ler mais páginas desse livro, mas com certeza há muito para aprender ainda. E mais pensamentos virão, com certeza.

  • Idade

    Quanto mais faço terapia, mais reparo o quanto eu estou abraçando o que se espera da minha idade.

    Foi bem comum me olhar no espelho durante os últimos anos e ver uma pessoa jovem, com muita vida para se viver ainda, com tempo para tudo.

    A real é que pensar dessa maneira me encolhia. Me botava numa caixinha que não mais me cabia e isso também me trouxe uma visão errada que não me fazia evoluir.

    Era um misto de medo de me assumir velho, de achar que não vivi o suficiente, de que estava mais perto da morte. Para mim, olhar no espelho e me dar conta que os fios brancos na barba e no cabelo me davam mais idade era uma ideia que passava despercebida, que eu só queria esconder por causa dos medos.

    O vazio que vinha era de não abraçar a idade. De não abraçar o que eu era: uma pessoa que viveu bons anos da vida.

    Por me enxergar jovem ainda, eu acabava me encolhendo em vários aspectos. Me via ainda verde para assumir vagas de trabalho que exigiam a experiência que eu possuía, mas tinha vergonha de assumir. Fugia de compromissos, de relacionamentos, de poder me entregar para outra pessoa, com medo de ainda ser jovem, que precisava curtir.

    Eu fui abraçando, aos poucos, a idade. Fui abraçando em alguns aspectos antes de outros. Até me tocar que pensar dessa maneira era ruim. Me ver jovem, por medo, me botava numa posição inferior a posição que eu deveria estar.

    Me olhar no espelho e enxergar uma pessoa de 35 anos, é libertador. Eu ainda posso viver muito, muita coisa, mas eu já possuo bagagem suficiente para lidar com as responsabilidade da vida adulta. Lidar com as infelicidades e contrapesos da vida. Viver de maneira madura, entendendo os altos e baixos do que significa isso.

    Me livrei do medo. E agora me sinto pronto para viver a vida plena que mereço.

  • Sobre atenção

    Atenção é a capacidade de manter algo diante da mente, pois a inclinação natural da atenção é ser fugaz. – Definição de William James em The Principles of Psychology.

    Embora a tendência natural do pensamento seja exatamente o contrário, a atenção deve se manter estrita ao objeto de foco até que finalmente seja completada, assim se manterá com facilidade. Esse esforço de atenção é o ato fundamental da vontade.

    Manter a atenção e foco vai ser uma das outras grandes habilidades a serem desenvolvidas no próximo século.

    É uma batalha entre design e algoritmo contra o ser humano, em sua essência.

    Diferente do que achamos, atenção é uma luta constante de disciplina, de manter a mente atenta a um único e fixo ponto o tempo todo.

    Escrever essas linhas, por exemplo, me faz manter a atenção. Eu quero, a cada pausa, abrir uma nova aba com meu email, ou ver rapidamente o Twitter.

    A repetição cria programação. E, na busca da atenção, é de extrema importância que repitamos o processo, com constância, do controle da nossa atenção e foco.

    Sem isso, não vamos conseguir nos concentrar em nada. Precisamos definir, 10 minutos por dia, pouco a pouco, ganhar o controle novamente sobre a nossa vontade. E, dominando a nossa vontade, conseguiremos controlar nós mesmos e nossa atenção novamente.

    Podemos fazer isso sem abandonar a existência social das redes. Podemos continuar usando tiktok, Instagram, mas conscientes de seu uso.

    Não vamos cair mais nas armadilhas de estímulos construídos fora de nós. Limitaremos a influência externa aos nossos pensamentos.

    Tudo isso parte da disciplina e da atenção constante.

    Precisamos treinar a atenção, igual treinamos para academia ou para ser criativos.

  • Empatia e Extrapolação

    Nós, seres humanos, temos dois superpoderes em relação as IAs.

    O primeiro é a capacidade de ter Empatia.

    Inovação pelo Design vem de achar o que as pessoas valorizam, o que é significativo para elas, e depois encaixar tecnologia e negócios. Isso é ter empatia. Isso é se botar no lugar do outro.

    O segundo é a capacidade de extrapolar.

    As máquinas são boas de interpolar.

    Interpolação e extrapolação são métodos de estimativa baseados em dados existentes. A 
    interpolação calcula valores desconhecidos dentro do intervalo de dados conhecidos.

    A extrapolação estima valores fora do intervalo conhecido (antes ou depois), o que envolve maior incerteza.
    A máquina lida bem com dados e pensar sobre aqueles dados que já existem. Pensar “fora da caixa” e ser criativa fora dos frameworks e estruturas habituais, só um ser humano.


  • Crenças de Ouro

    1. Criatividade é habilidade e pode ser desenvolvida
    2. Criatividade é processo e sistema
    3. Você precisa se tornar aquilo que quer ser
    4. Criatividade = Ideia + Execução
    5. Você só consegue executar se tiver uma visão de longo prazo
    6. Executar uma ideia é trabalho, por isso a motivação é interna e não externa
    7. Criatividade é a habilidade mais importante do século
    8. Storytelling é a segunda habilidade mais importante do século