Quanto mais faço terapia, mais reparo o quanto eu estou abraçando o que se espera da minha idade.
Foi bem comum me olhar no espelho durante os últimos anos e ver uma pessoa jovem, com muita vida para se viver ainda, com tempo para tudo.
A real é que pensar dessa maneira me encolhia. Me botava numa caixinha que não mais me cabia e isso também me trouxe uma visão errada que não me fazia evoluir.
Era um misto de medo de me assumir velho, de achar que não vivi o suficiente, de que estava mais perto da morte. Para mim, olhar no espelho e me dar conta que os fios brancos na barba e no cabelo me davam mais idade era uma ideia que passava despercebida, que eu só queria esconder por causa dos medos.
O vazio que vinha era de não abraçar a idade. De não abraçar o que eu era: uma pessoa que viveu bons anos da vida.
Por me enxergar jovem ainda, eu acabava me encolhendo em vários aspectos. Me via ainda verde para assumir vagas de trabalho que exigiam a experiência que eu possuía, mas tinha vergonha de assumir. Fugia de compromissos, de relacionamentos, de poder me entregar para outra pessoa, com medo de ainda ser jovem, que precisava curtir.
Eu fui abraçando, aos poucos, a idade. Fui abraçando em alguns aspectos antes de outros. Até me tocar que pensar dessa maneira era ruim. Me ver jovem, por medo, me botava numa posição inferior a posição que eu deveria estar.
Me olhar no espelho e enxergar uma pessoa de 35 anos, é libertador. Eu ainda posso viver muito, muita coisa, mas eu já possuo bagagem suficiente para lidar com as responsabilidade da vida adulta. Lidar com as infelicidades e contrapesos da vida. Viver de maneira madura, entendendo os altos e baixos do que significa isso.
Me livrei do medo. E agora me sinto pronto para viver a vida plena que mereço.
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